Dentro de campo

Três penáltis bem assinalados e um por assinalar

O jogo entre Sp. Braga e Benfica afigurava-se, dentro do contexto espaço-tempo, como muito importante nas contas do título, daí que todos os olhos iriam estar concentrados nas incidências técnico-tácticas do encontro, mas também nas tomadas de decisão ao nível da arbitragem. Como facilmente percebemos nas horas seguintes ao apito final da partida, muito do foco passou a incidir sobre os lances que ocorreram e as decisões do binómio árbitro/VAR. Nesse sentido, a minha crónica semanal sobre arbitragem incide hoje sobre as situações e os lances que ocorreram e as decisões que foram tomadas.

Minuto 10: João Félix remata a bola no interior da área bracarense, acabando esta por bater no braço de Claudemir. O remate foi feito de muito perto (bola inesperada), tendo o jogador do Sp. Braga o braço colado ao corpo, encolhido, e sem o movimentar ou ganhar volumetria de forma deliberada, razão pela qual não houve motivo para penálti. 

Minuto 16: Rúben Dias e Paulinho disputam a bola, o jogador do Benfica entra com a sola da bota, acabando por fazer jogo perigoso activo em simultâneo com o remate do jogador bracarense, que acaba por sofrer o contacto no peito do pé. Ora, jogo perigoso activo com contacto é passível de livre directo. Como o lance ocorreu no interior da área, estaríamos perante uma situação de penálti.

Minuto 33: Rúben Dias tenta jogar a bola, mas acaba por entrar fora de tempo, carregando e derrubando Fransérgio, quando este estava em clara oportunidade de golo. Tecnicamente penálti, disciplinarmente apenas cartão amarelo em virtude de se tratar de uma infracção enquadrada na alteração da lei da tripla penalização. Ou seja, porque o central do Benfica tenta jogar a bola, cortando uma clara oportunidade de golo, passamos da expulsão para a advertência. 

Minuto 50: Em nenhum momento, Florentino dominou ou jogou a bola com a mão ou braço, quando Claudemir lhe tentou passar a bola por cima, no interior da área benfiquista. Foi apenas com o peito que houve contacto com o esférico, razão pela qual não houve motivo para penálti.

Minuto 54: Pablo Santos, já no interior da sua área, ao desarmar Seferovic, toca na bola de forma clara. Só posteriormente existe o contacto entre ambos, fruto do movimento e da jogada, não havendo, portanto, qualquer infracção e motivo para penálti.

Minuto 57: João Félix ganha a frente do lance e, ao fazer o seu movimento de rotação, acaba por ser tocado no calcanhar do pé esquerdo, pela biqueira da bota do pé direito de Ricardo Esgaio. Não obstante o jogador do Benfica ter exponenciado a sua queda, o facto é que o toque existiu e foi suficiente para desequilibrar o avançado benfiquista. Uma infracção passível de pontapé de penálti.

Minuto 61: João Félix tenta jogar a bola, mas falha o tempo de entrada e acaba por, de forma negligente e com algum perigo, pisar o tornozelo de Pablo Santos. Uma infracção passível de cartão amarelo que, na ocasião, daria a expulsão por acumulação de cartões, pois era o segundo. Convém relembrar que o protocolo do VAR não permite a intervenção para segundos cartões amarelos, apenas para vermelhos directos.

Minuto 64: Bruno Viana, ao ter o seu braço esquerdo afastado e fora do plano do corpo, em posição não natural e a ganhar volumetria (“make the body bigger”, expressão utilizada pelo International Board), acaba por dominar e interceptar o remate de Pizzi. Embora o remate tenha sido feito de perto, não atenua a circunstância da posição e da colocação por antecipação de forma deliberada do braço do jogador bracarense. Um lance tecnicamente passível de pontapé de penálti.

Artigo retirado do Jornal Público by Pedro Henriques

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